| Prosa Poética de Constança Lucas | |
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Terça feira
Todas as terças conversávamos horas a fio, num desfiar de histórias, notícias, lamentos, exílios, escolhas, afectos... Numa terça feira quente fui beber uma cerveja, quando cheguei a casa tinha o gravador de chamadas lotado, ouvi e finalmente entendi que não era comigo que todas as terças feiras conversava, era com a sua solidão. Um vazio desceu por mim e num aperto de dor fiquei sem falar ao telefone por semanas. Agora todas as terças feiras oiço jazz onde fui beber cerveja naquele dia quente.
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