Rendas de água

chuvas de barro
olhos nas rendas desenhadas nas ruas penduradas nas árvores

a água faz-me desenhar
o que nem sei existir

leio os lusíadas
sinto a água em nevoeiro
ao ler sei um novo tempo
iniciado em nós nestas rendas
desejadas em silêncios 

escavámos um poço
de sal
apagámos os desejos
neste rio inventado
de palavras sós

fico à beira de mim
tecendo águas
no que nunca diremos

© Constança Lucas 2003

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