Do outro lado do vidro

 

Pela janela, um rubor de nuvem,
alguém sem articulação, rabisca,
do outro lado do vidro, lá em baixo
observo-o como quem não entende

Sinto falta de mais árvores
a calçada tem um dono
que não gosta das folhas
e o rapaz rabisca como quem marca
um território fictício
 

© Constança Lucas 2006

 

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