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Águas e ventos

 

Há uma máscara na capa do livro

dentro poemas de tantos poetas

há também uma fotografia

sorri, quando nela paro o olhar

há palavras entre folhas amarelas

onde tu falas comigo com letras azuis

há sonhos de paladares em troca

na penumbra de se saber presente

há esta incerteza que nos encanta

nos caminhos de terra e mar

há a água que nos acompanha

nesta conversa diária dentro de nós mesmos

há a delícia de não ser, sendo

em espaços alados, rebentar as peles

há a luz que nos ronda com limites

na praga das realidades

há o esplendor das florestas

nas cores dos ventos que correm

há o sol enterrado nos corações

dos que se querem, por isso ardem

há os livros em rumores

em memórias, de sedução

há os animais que me perseguem

nestes trajetos de más notícias dos jornais

há um vento no meu peito, capaz

incapaz de te ter nas entranhas do nosso mar

há sempre a noite, próxima,

nos regressos, nos encontros inventados

há as alegrias nos campos, onde

não semearei a minha tristeza

há esta forma de amizade

onde sempre se estende a mão

há os desenhos pressentidos

neste rio de palavras,
olho-te sem máscara

 

© Constança Lucas Volta ao índice de poemas