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Exposição: |
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Inauguração dia 13 de abril de 2010, |
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Desenhos digitais de Constança Lucas Local: Livraria João Alexandre Barbosa - USP Edifício
da Antiga Reitoria
- Térreo fone:
(11) 3091-4156/3091-4157
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"As Imagens de Constança Lucas Não se deve omitir uma invenção recente, pois, quando não com ouro e prata, pelo menos com bronze se consagram nas bibliotecas aqueles cujas almas imortais ainda falam nesses lugares; chega-se a fabular os que não têm imagens, e o pesar engendra as que não foram transmitidas, como aconteceu com Homero (História Natural, Livro XXXV, II, 9-10).
Adiante,
Plínio, o Velho traz Asinius Pollion instituindo a primeira biblioteca
romana, gesto porventura precedido pelos monarcas de Alexandria e Pérgamo,
postos, por sua vez, a disputar a primazia do ato. O argumento epidítico
da autoria alinha-se com outros, que distinguem o retrato como
presentificação do ausente, não em termos metafísicos de representação,
mas nos políticos de coisa pública. A contribuição para a república
sustém os engenhos na biblioteca, os quais vencem a morte na exposição
de seus retratos. A correspondência entre escritores e livros mostra-se
na livraria da Universidade, a universalidade da política romana
estando deslocada. Sem descontinuar a história pliniana, infletido-a na
disseminação de escritores de língua portuguesa na livraria, Constança
Lucas reúne as flores modernas do ramo latino em lugar público. Seus
retratos tornam presentes os escritores que falam além dos textos, nas
imagens. Os traços, não sendo de metal, nem, tampouco, de pintura, não
rompem com as artes de Plínio: as efígies da linguagem digital,
seguindo a pauta antiga da semelhança, abrem um novo ramalhete da imago latina,
antologia que corresponde, para lá das discriminações do tempo, à da
língua. Flores nossas contemporâneas, os retratos de Constança
estendem, contudo, o tempo de Plínio, cujas artes, conquanto mantidas
como vetores discursivos, dilatam-se figurativamente: as imagens
ulteriores, do Baixo Império e, depois, dos assim chamados “românico”
e “bizantino”, ampliando as plinianas, são efetuadas por Constança,
e, já revelador ato impensado, suas caixas remontam as dos ícones.
Planares, sumários, os escritores de Constança dispensam a luz e
perspectiva de Plínio, sem cair do vetor antigo. A imagem digital, com
estender a imagem antiga, é coerente com os livros, também eles
confiados ao computador, estabelecendo-se paralelismo entre as duas
figurações e as duas escrituras; a multiplicidade e reprodutibilidade
da técnica digital não contradiz a unicidade e singularidade da
manual, pois as imagens e os discursos de cada um dos dois universos são
homogêneos. Ligados pelos mesmos fios, esses universos, porque
paralelos, desenham entretanto o desassossego."
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