Constança Lucas
Desenhos Digitais e Poéticas escritas, todos publicados no
Blog Imagem e Palavra

 

O s   a m o r e s   t ê m   p r a z o   de  v a l i d a d e?
 

 

pessoas que povoam os nossos corações
pessoas que passeiam em nossas almas
pessoas que conversam com as nossas palavras
pessoas que não nos deixam jamais
pessoas que são nosso desassossego

 

 

 

ontem li um conto dos segredos vividos
os desconhecidos e os conhecidos
dormi ao som de uma trovoada intensa
os céus anunciavam mais segredos
dos raios que partem medos aos bocadinhos

 

 


 

ouvi umas vozes que cantavam as cores das nuvens
olhei as nuvens e cantavam desenhos de encantar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

os  passinhos de medo transformaram-se em
pedaladas destemidas, braçadas heróicas, 
caminhadas sem receios
Um dia  rejeições e recusas colhidas como pedrinhas e os medinhos são acrescidos aos bolsos quando olhamos as nuvens e tentamos não fechar os olhos para os sonhos

 

 

 

 

 

pp

 

 

 

 

 

 

 

hoje as saudades invadiram os recantos do dia
abraçaram-se a mim, levaram-me para lugares
ouvi palavras que entendia, sons próximos

 

 

janelas gritaste sem descanso
imaginação de crescente desejo
desenho-te nas sombras das palavras intensas
desenhos de cantigas acreditadas
nas linhas, nos afetos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ao desenhar-te trago-te para uma conversa mais
perlongada dos caminhos das linhas do teu rosto
imaginado, nos sonhos das palavras com cheiros
dos cabelos que abraçam o mundo com ternura,
os olhos nos seus espantos meigos, gestos de vida

 

 

 

 

 

 

 

Mergulhar nas formas para nelas me perder, de repente
sentir o desenho refeito a cada olhar, em olhares
de fora para dentro, de aprendizados permanentes,
saborear e saber da solidão de quem ama mais
do que pode nos desenhos doados a cada carinho.

 
 

conversas

O meu país é o desenho

 

as palavras de dizeres em vinagre e azeite, no vagar da refeição que não quer acabar, doces os olhares mas maiores os desejos, arrastados pelos dias, pelos meses, pelos anos, as palavras vieram fervilhantes, cresceram conquistas e fronteiras derreteram, mas as palavras foram-se nas areias quentes das missões, onde o carinho não tem lugar, nas conversas de dores salpicadas de odores, misturados aos sentidos embriagados de sons inventados e amores sem razões, perduram no peito a cantar, dias cheios de desenhos aos ventos

 

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Ilustração

© CL