Pela Paz no Mundo

Curiosidades Culturais 
 2 0 0 3

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

«A poesia é das raras actividades humanas que, no tempo actual, tentam salvar uma certa espiritualidade. A poesia não é uma espécie de religião, mas não há poeta, crente ou descrente, que não escreva para a salvação da sua alma - quer a essa alma se chame amor, liberdade, dignidade ou beleza» (JL 709, de 17/12/97)

© Desenhos de Constança Lucas  direitos reservados

 

Poema de Alberto Caeiro 
 Dizes-me  

 

Dizes-me: tu és mais alguma cousa
Que uma pedra ou uma planta.
Dizes-me: sentes, pensas e sabes
Que pensas e sentes.
Então as pedras escrevem versos?
Então as plantas têm idéias sobre o mundo?

Sim: há diferença.
Mas não é a diferença que encontras;
Porque o ter consciência não me obriga a ter teorias sobre as cousas:
Só me obriga a ser consciente.

Se sou mais que uma pedra ou uma planta?  Não sei.
Sou diferente.  Não sei o que é mais ou menos.

Ter consciência é mais que ter cor?
Pode ser e pode não ser.
Sei que é diferente apenas.
Ninguém pode provar que é mais que só diferente.

Sei que a pedra é a real, e que a planta existe.
Sei isto porque elas existem.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram.
Sei que sou real também.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram,
Embora com menos clareza que me mostram a pedra e a planta.
Não sei mais nada.

Sim, escrevo versos, e a pedra não escreve versos.
Sim, faço idéias sobre o mundo, e a planta nenhumas.
Mas é que as pedras não são poetas, são pedras;
E as plantas são plantas só, e não pensadores.
Tanto posso dizer que sou superior a elas por isto,

Como que sou inferior.
Mas não digo isso: digo da pedra, "é uma pedra",
Digo da planta, "é uma planta",
Digo de mim, "sou eu".
E não digo mais nada.  Que mais há a dizer?

 

ZECA AFONSO
Traz outro amigo também

Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também

Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também

Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também

Poema de Zeca Afonso

 

 

 

Poema de Maria do Carmo Ferreira

Poema publicado no SL Suplemento Literário79- Janeiro de 2002 / Minas Gerais


© Constança Lucas, pintura 

LOBO Ibérico 

Canis lupus signatus

Comportamento

Os lobos apresentam diferentes personalidades assim como os cães, nossos bem conhecidos animais de estimação. Esta diversidade num grupo apresenta muitas vantagens já que tende a reduzir a competição entre os indivíduos e tornar mais fácil a vida em comum. De um modo geral, pode dizer-se que são amigáveis, gostam de estar juntos e mostram grande afeição mútua. São bastante tolerantes e gostam de brincar, particularmente quando são jovens. 

A personalidade de cada lobo, aparentemente, surge associada à posição hierárquica que ocupa na alcateia. Um lobo dominante detém uma personalidade característica e quando perde a sua posição no grupo perde também a personalidade que se lhe associa. Do mesmo modo, um lobo subordinado que se torne dominante adquire a personalidade de dominância.

Demonstram ainda uma excelente capacidade de aprendizagem. São capazes de resolver problemas e aprender por observação enquanto os cães aprendem com base em associações.

http://www.fc.ul.pt/lobo/li.html

http://www.zoolisboa.pt/ozoo/animais/mamifero/loboiber.html

Eugénio de Andrade 
Prémio Camões 2001

Poeta da língua portuguesa que me acompanha desde há muito, cada momento de leituras diversas e uma presença tão forte - a marca para sempre de e para quem pensa no mundo e o sente especialmente. São muitos os poemas de Eugénio de Andrade de que gosto, escolhi um dos que mais me marcou.

As palavras

São como um cristal,
as palavras
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas,

Secretas vêm, cheias de memória.
inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?  "

 

Poema emprestado do livro "Coração do dia / Mar de Setembro" Obras de Eugénio de Andrade/3 Editora Limiar, 1977, Porto, Portugal

 

Alpharrabio
Livraria e Editora
Rua Eduardo Monteiro 151 - Jardim Bela Vista
 Cep09041-300 - Santo André - SP - Brasil
 Telefone: 4438 4358  e-mail:
alpharrabio@alpharrabio.com.br

A versão virtual do  Abecês no. 7 já está no ar
ABECÊS é uma publicação da Alpharrabio Edições

Bandeira de Portugal seus significados e cores

Espaço aberto a sugestões
e-mail: cons@dialdata.com.br

 Índice     

                                                                Desenhos

Índice      Pulsações